OMS defende calendário de vacinação infantil após mudanças anunciadas por Trump
Organização reforça que recomendações são baseadas em décadas de pesquisas e alerta para a importância das evidências científicas na imunização de crianças.

Vacinação
A Organização Mundial da Saúde (OMS) reafirmou nesta terça-feira (11) que os calendários de vacinação infantil devem ser definidos com base em evidências científicas, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinar uma ordem executiva que reduz o número de vacinas recomendadas para crianças no país.
A medida estabelece um novo calendário com 11 imunizações e, segundo Trump, busca aproximar os Estados Unidos dos modelos adotados por outros países desenvolvidos. No entanto, especialistas destacam que cada nação possui realidades epidemiológicas e sistemas de saúde diferentes, o que influencia diretamente as recomendações de vacinação.
Em coletiva de imprensa realizada em Genebra, o porta-voz da OMS, Tarik Jasarevic, afirmou que as orientações da organização são resultado de mais de 60 anos de pesquisas conduzidas por especialistas independentes e autoridades de saúde de diversos países.
Segundo a OMS, a definição do calendário considera fatores como a idade em que crianças estão mais vulneráveis a determinadas doenças e o desenvolvimento do sistema imunológico, garantindo a proteção nos momentos de maior risco.
A decisão do governo norte-americano também gerou críticas de entidades médicas e especialistas em saúde pública, que afirmam não haver novas evidências científicas que justifiquem as alterações. Os profissionais alertam que a redução das vacinas recomendadas pode aumentar o risco de doenças preveníveis e gerar dúvidas entre os pais sobre o esquema de imunização.
Outro ponto questionado é a recomendação para que a vacina tríplice viral (MMR), que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, seja aplicada em doses separadas. Fabricantes e especialistas afirmam que não existem estudos que comprovem benefícios dessa estratégia e alertam que a mudança pode aumentar o risco de atrasos ou da não realização da vacinação infantil.