Força-tarefa encontra pacientes amarrados e alimentos estragados em clínica de reabilitação em Anadia
Inspeção do MPAL, MPT, PF, Vigilância Sanitária e outros órgãos identificou denúncias de maus-tratos, condições insalubres e exploração de internos

FISCALIZAÇÃO
Uma fiscalização conjunta realizada nesta segunda-feira (31) encontrou graves irregularidades em uma clínica de reabilitação localizada em Anadia, no interior de Alagoas. A ação ocorreu após denúncias anônimas encaminhadas à Ouvidoria do Ministério Público de Alagoas (MPAL).
A inspeção na unidade “Comunidade Jesus Te Ama” reuniu equipes do MPAL, Ministério Público do Trabalho (MPT), Polícia Federal (PF), Vigilância Sanitária, Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) e Superintendência Regional do Trabalho.
Durante a vistoria, os órgãos relataram ter encontrado pacientes submetidos a condições consideradas degradantes, além de denúncias de violência, privação de alimentação e uso abusivo de medicamentos.
Segundo a promotora de Justiça Viviane Farias, também foram identificadas pessoas com deficiência e transtornos psiquiátricos recebendo atendimento inadequado. A fiscalização ainda encontrou alimentos estragados que seriam destinados aos residentes.
Pacientes teriam permanecido amarrados por dias
Um dos principais pontos identificados pela equipe foi a existência de um espaço utilizado para conter pacientes considerados agitados.
Conforme relatos colhidos durante a fiscalização, alguns internos teriam permanecido amarrados por até três dias, inclusive realizando necessidades fisiológicas em baldes. A situação foi classificada pela promotoria como grave e incompatível com as condições de acolhimento esperadas em uma instituição de reabilitação.
A equipe também constatou relatos de castigos e outras formas de contenção sem acompanhamento médico e sanitário adequado.
Internos eram utilizados em obras
A fiscalização também apontou que moradores da instituição eram utilizados em serviços de construção e reforma no próprio estabelecimento sem receber remuneração.
O Ministério Público do Trabalho identificou a exploração da mão de obra, mas, segundo as informações divulgadas, a situação não foi formalmente tipificada pelo órgão como trabalho escravo.
Clínica será parcialmente interditada
Diante das irregularidades encontradas, a Vigilância Sanitária informou que fará a interdição parcial do estabelecimento.
A unidade não foi completamente fechada de imediato porque, segundo a promotoria, é necessário organizar a transferência dos residentes para outros locais e evitar que eles fiquem desassistidos.
A promotora Viviane Farias também informou que o Ministério Público deverá ajuizar uma ação civil pública contra os responsáveis pelo estabelecimento.
Nenhuma prisão foi realizada durante a fiscalização. Conforme informado pela promotoria, o proprietário da clínica não estava no local no momento da operação, onde foram encontrados apenas funcionários.