Caminhada pode ajudar a proteger o cérebro e reduzir riscos associados ao Alzheimer
Estudos apontam relação entre atividade física e menor progressão de alterações cerebrais ligadas à doença, mas especialistas ressaltam que não há garantia de prevenção individual

SAÚDE E BEM-ESTAR
Esquecer ocasionalmente onde deixou as chaves ou ter dificuldade para lembrar um nome pode fazer parte do cotidiano. Porém, episódios frequentes de perda de memória, dificuldade para realizar tarefas habituais ou desorientação em locais conhecidos podem indicar a necessidade de avaliação médica.
A doença de Alzheimer é a principal causa de demência, mas alterações cognitivas também podem estar relacionadas a outros fatores, como problemas vasculares, depressão, alterações na tireoide, deficiências nutricionais e efeitos de medicamentos.
Entre as medidas que podem contribuir para a saúde cerebral está a prática regular de atividades físicas. Estudos recentes associam um maior nível de atividade, incluindo a quantidade de passos dados diariamente, a uma progressão mais lenta de alterações relacionadas ao Alzheimer.
Uma pesquisa publicada em 2025 acompanhou adultos cognitivamente saudáveis e identificou essa associação principalmente entre pessoas que já apresentavam depósitos da proteína beta-amiloide no cérebro. Como o estudo foi observacional, os pesquisadores não puderam afirmar que caminhar, por si só, tenha causado o efeito protetor.
A atividade física também aparece entre os fatores relacionados à prevenção da demência. A Comissão da The Lancet sobre demência aponta 14 fatores de risco potencialmente modificáveis, incluindo sedentarismo, hipertensão, diabetes, colesterol elevado, perda auditiva e visual não tratadas, tabagismo, depressão, isolamento social e exposição à poluição do ar.
Outro estudo, o US POINTER, acompanhou mais de 2 mil adultos entre 60 e 79 anos com maior risco de declínio cognitivo. Os participantes foram submetidos a diferentes estratégias envolvendo exercícios, alimentação, estímulo cognitivo, interação social e controle da saúde cardiovascular. Os dois grupos apresentaram melhora, com resultado um pouco maior entre aqueles que participaram de um programa mais estruturado e supervisionado.
Especialistas, no entanto, ressaltam que não existe uma quantidade específica de passos ou um exercício capaz de garantir que uma pessoa não desenvolverá Alzheimer.
A recomendação é combinar diferentes hábitos ao longo da vida, como praticar exercícios aeróbicos, realizar treinamento de força, controlar a pressão arterial, glicemia e colesterol, manter uma alimentação equilibrada, dormir bem, cuidar da audição e da visão e preservar a convivência social.
Para pessoas que já apresentam comprometimento cognitivo, atividades orientadas por profissionais também podem ajudar a preservar força, equilíbrio, mobilidade e independência. Exercícios que envolvem comandos, mudanças de direção e tarefas do cotidiano podem estimular simultaneamente movimento e atenção.
Assim, manter o corpo ativo pode fazer parte de uma estratégia mais ampla de cuidado com a saúde cerebral. Embora não seja possível controlar todos os fatores relacionados ao envelhecimento, hábitos saudáveis podem contribuir para preservar a qualidade de vida e a autonomia ao longo dos anos.