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Mulher de 37 anos admite ter se passado por criança durante 15 anos

Amanda Maria Souza de Oliveira é acusada de fraude e falsidade ideológica em Santa Catarina e também responde a uma denúncia por fraude no Paraná. Julgamento começa nesta quarta-feira (19).

Redação Taquarana News
Mulher presa após se passar por criança para enganar vítimas | Reprodução/Polícia Civil SC Mulher presa após se passar por criança para enganar vítimas | Reprodução/Polícia Civil SC
Mulher presa após se passar por criança para enganar vítimas | Reprodução/Polícia Civil SC Mulher presa após se passar por criança para enganar vítimas | Reprodução/Polícia Civil SC

CASO INUSITADO

Amanda Maria Souza de Oliveira, de 37 anos, admitiu ter criado uma identidade falsa e se apresentado como criança durante mais de 15 anos. O caso veio à tona após a mulher ser presa em Joinville, em Santa Catarina, onde passou cerca de 14 meses vivendo com um casal que acreditava ter acolhido uma menina de 12 anos.

Segundo a polícia, Amanda utilizava voz infantil, roupas e comportamentos associados a uma criança. Durante a abordagem, no entanto, ela teria mudado o tom de voz e confirmado que acompanharia os agentes.

Apesar de reconhecer que enganou pessoas ao longo dos anos, Amanda nega ter cometido fraude. À polícia, ela afirmou que mentiu e enganou, mas que não tinha intenção de aplicar golpes.

A defesa sustenta que a mulher não teria causado prejuízo financeiro às pessoas que a acolheram e afirma que a identidade falsa teria sido utilizada como uma estratégia de sobrevivência.

De acordo com o advogado Lúcio Sousa, Amanda viveu nas ruas e teria encontrado na criação da identidade infantil uma maneira de receber cuidados. A defesa também argumenta que não há registros de que ela tenha obtido vantagem financeira, cometido furtos ou roubos contra as pessoas que a acolheram.

Identidade falsa teria sido usada em diferentes ocasiões

Investigadores afirmam que Amanda repetiu o comportamento em diferentes cidades e situações. Em 2020, ela teria procurado um abrigo para crianças e dito ter 12 anos, alegando que fugia de um pai abusivo. Posteriormente, um exame pediátrico teria constatado que ela era adulta.

No ano seguinte, segundo a investigação, Amanda teria utilizado outra identidade e afirmado ter leucemia. Ela também teria relatado situações que, posteriormente, foram consideradas falsas por integrantes de um grupo de orações online.

Em 2023, a mulher teria se apresentado no Rio de Janeiro como outra menina em situação de vulnerabilidade. As suspeitas aumentaram depois que pessoas que haviam oferecido acolhimento identificaram inconsistências em sua história.

Durante as investigações, foram encontradas no celular de Amanda pesquisas relacionadas a comportamentos associados ao autismo e à representação de vítimas de abuso.

Avaliações psicológicas

Após a prisão em Santa Catarina, Amanda passou por uma avaliação de saúde mental. Os profissionais identificaram sinais de possíveis transtornos psicológicos, mas concluíram que ela compreendia suas ações e tinha condições de responder ao processo judicial.

Uma avaliação independente contratada pela defesa apontou transtorno de personalidade borderline, transtorno de personalidade dependente e depressão. O juiz, porém, decidiu não considerar o segundo laudo e autorizou o prosseguimento da ação.

O julgamento em Santa Catarina começa nesta quarta-feira (19). Amanda reconhece que inventou a identidade e se apresentou como criança, mas a defesa argumenta que a conduta não configura fraude porque não teria existido intenção de obter vantagem financeira.

O caso também envolve acusações de falsidade ideológica em Santa Catarina e uma denúncia por fraude no Paraná. A Justiça deverá analisar as circunstâncias em que a identidade falsa foi utilizada e se houve, de fato, intenção de obter vantagem ilícita.

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