Mobilização de eleitores pode definir resultado do segundo turno, avalia cientista político
Com Lula e Flávio Bolsonaro empatados em pesquisa Datafolha, comparecimento às urnas e transferência de votos ganham importância na disputa presidencial.

ELEIÇÕES 2026
A mobilização dos eleitores pode ser decisiva para o resultado do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (25). Com Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) empatados nas intenções de voto, segundo pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (22), a capacidade das campanhas de levar seus apoiadores às urnas ganha destaque na reta final da disputa.
O levantamento aponta que os dois candidatos têm 50% dos votos válidos cada. Como a disputa está dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, o comparecimento dos eleitores pode ter influência importante no resultado.
No primeiro turno, dos 158,7 milhões de brasileiros aptos a votar, 33,4 milhões não compareceram às urnas, o equivalente a 21,08% do eleitorado. Segundo dados da Justiça Eleitoral, essa foi a maior taxa de abstenção em uma eleição presidencial desde 1998.
Para o cientista político Rodrigo Augusto Prando, o principal desafio das campanhas não é apenas conquistar novos eleitores, mas garantir que os apoiadores compareçam à votação.
“Porém, agora, mais do que converter o eleitor, vence quem levar o eleitor à urna”, avaliou o especialista.
Disputas estaduais podem influenciar a participação
A ausência de disputas para governador em parte dos estados também pode afetar a mobilização eleitoral. No primeiro turno, algumas unidades da Federação definiram seus governadores, reduzindo a necessidade de campanhas estaduais no segundo turno.
Minas Gerais e Rio de Janeiro, segundo e terceiro maiores colégios eleitorais do país, respectivamente, estão entre os estados que já definiram a disputa pelo governo estadual.
De acordo com Prando, as campanhas para governador costumam mobilizar prefeitos e lideranças locais, contribuindo para aumentar a participação dos eleitores. No segundo turno, a disputa estadual ocorre em seis estados e no Distrito Federal.
Ainda assim, o comparecimento dependerá de outros fatores, como o engajamento das campanhas presidenciais e o interesse dos eleitores na definição do próximo presidente.
Transferência de votos também entra no cálculo
Os votos recebidos pelos candidatos eliminados no primeiro turno representam outro ponto importante da disputa. Conforme os dados do Datafolha citados na pesquisa, 23% dos eleitores de Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) ainda admitem mudar de posição. Os outros 77% afirmam já ter decidido seu voto.
Na avaliação de Prando, a tendência de unificação de parte do eleitorado de direita no segundo turno pode favorecer Flávio Bolsonaro, embora essa transferência não ocorra de maneira integral.
Com a disputa acirrada, a participação dos eleitores, a consolidação dos votos e a capacidade de mobilização das campanhas estão entre os fatores que podem influenciar o resultado final da eleição.