Caso Davi: TJAL julga recurso de PMs condenados por morte e desaparecimento de adolescente
Quatro policiais militares foram condenados pelo Tribunal do Júri a penas que, somadas, ultrapassam 100 anos de prisão; MPAL pede manutenção da decisão.

JUSTIÇA
O Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL) julga nesta quarta-feira (26) o recurso apresentado pela defesa de quatro policiais militares condenados pelo assassinato e desaparecimento de Davi da Silva, de 17 anos. O adolescente desapareceu após ser colocado em uma viatura da Rádio Patrulha, no Benedito Bentes, em Maceió, em 25 de agosto de 2014.
Os quatro agentes foram condenados pelo Tribunal do Júri em maio. Somadas, as penas ultrapassam 100 anos de prisão em regime fechado. O corpo de Davi nunca foi localizado.
Durante o julgamento, a defesa dos policiais sustentou a inocência dos acusados. Já o Ministério Público de Alagoas (MPAL) afirma que as provas reunidas no processo apontam para a participação dos quatro militares.
Dados telefônicos são usados como prova
Segundo o MPAL, registros de telefonia contradizem a versão apresentada pelos policiais sobre o horário em que a guarnição chegou à região do Benedito Bentes.
A análise das antenas de telefonia indica que a equipe estava no Jacintinho às 7h34. Às 8h01, o celular de um dos policiais teria acionado uma estação rádio-base localizada no Loteamento Jardim Paulo VI, na Cidade Universitária, área próxima às vias de acesso ao Benedito Bentes.
Para o Ministério Público, os registros reforçam a presença da guarnição na região no período em que Davi foi abordado.
Testemunha reconheceu os policiais
Outro elemento apresentado pelo MPAL é o depoimento de Raniel Oliveira Silva, que estava com Davi no momento da abordagem e foi liberado pelos policiais.
De acordo com o órgão, Raniel reconheceu os quatro militares após analisar aproximadamente 60 fotografias e vídeos relacionados aos agentes. O MPAL também afirma que testemunhas presenciaram Davi sendo colocado dentro de uma viatura da Rádio Patrulha.
As testemunhas teriam identificado o veículo por uma característica visual: o símbolo de um pit bull. Conforme o Ministério Público, o comandante do batalhão à época confirmou que a marca era utilizada nas viaturas da unidade.
MPAL pede manutenção da condenação
No julgamento do recurso, o Ministério Público de Alagoas defende que a decisão tomada pelo Tribunal do Júri seja mantida integralmente.
O órgão argumenta que a condenação foi baseada em provas técnicas e testemunhais apresentadas durante o processo e submetidas ao contraditório. O MPAL também destaca o princípio constitucional da soberania dos veredictos do Tribunal do Júri em crimes contra a vida.
Davi tinha 17 anos quando desapareceu. Mais de uma década após o crime, o paradeiro do corpo do adolescente continua desconhecido.